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Sono de Sonho by Verina Fernandes

O seu filho vai dormir a noite inteira, garanto!

Quando temos filhos pequenos, há determinadas fases pelas quais eles passam que nos parecem durar para sempre e que nunca se vão resolver: como quando decidem bater com os talheres na mesa enquanto mastigam, durante tooooda a refeição e em toooodas as refeições; recusam-se a comer sopa; desarrumam sistematicamente os livros; ou até mesmo “lutam contra o sono”.

Muitas vezes confortamo-nos com o que ouvimos de outros pais, com filhos mais velhos: “é só uma fase, passa rápido, vais ver”.

É óbvio que os nossos filhos vão dormir a noite toda, mais cedo ou mais tarde! Racionalmente os pais têm consciência disso mas também é evidente que algumas crianças demoram mais tempo a consegui-lo. É como andar de bicicleta: uns demoram mais tempo a dominar o equilíbrio.

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Quando uma criança não dorme bem (faz sestas curtas, acorda inúmeras vezes durante a noite, mostra sinais de cansaço durante o dia), não significa que estão a ser maus pais; não significa que a criança seja “manhosa” e birrenta, por natureza. Simplesmente precisa de uma ajuda extra, precisa de mais algum tempo. Provavelmente, estará a dar prioridade a outras aprendizagens, como a linguagem, a locomoção e mais mil e uma coisas!
Alguns bebés são naturalmente mais desafiantes do que outros, que são pequenos budas, que dormem em qualquer lugar, sempre que lhes apeteça. São questões de temperamento, de sensibilidade. Irmãos gémeos podem ter padrões de sono distintos. No entanto, não pensem que há bebés perfeitos ou que o bebé da vizinha é “melhor” que o vosso. O mesmo “bebé-buda” pode passar por uma fase complicada de birras, onde mostra grande dificuldade em lidar com a frustração (nos “terrible twos”, por exemplo).
Se há coisa que aprendemos com a maternidade e paternidade é que os nossos filhos vão sempre testar os nossos limites, a nossa capacidade de resistência e de resiliência. E nem sempre temos de enfrentar estes desafios sozinhos, nem temos que aceitar todas as situações.

Quando um bebé acorda durante toda a noite, os pais vão acusar, mais cedo ou mais tarde, os efeitos da privação de sono, que não devem ser desvalorizados. Vai-se a capacidade de concentração, desfaz-se o equilíbrio emocional, evapora-se a paciência. É este o rastilho para a depressão, para os acidentes, para o divórcio.

“És mãe, tens que aguentar”; “quando se decide ter um filho já se devia saber com o que se conta”. Não necessariamente! Estes bitaites que muitas vezes ouvimos dos outros são uma violência, fazem-nos carregar a culpa de não sermos suficientemente resistentes, de sermos até egoístas por nos preocuparmos com o nosso descanso, quando o bebé tem de ser a prioridade absoluta (já mencionei aqui a necessidade de uma mãe e de um pai se colocarem em primeiro lugar na lista das prioridades). E depois vem o golpe de misericórdia: “por acaso a minha filha sempre dormiu lindamente, por isso nunca tive problemas desses”!


O meu filho vai dormir bem num destes dias”, sim mas pode ainda demorar uns bons meses, anos até… e até lá, como ficam (bebé, pais, irmãos)?
Às vezes, para aprendermos a andar de bicicleta, precisamos de instalar umas “rodinhas” de apoio. O mesmo se passa com o sono de uma noite inteira: às vezes é precisa uma ajudinha extra.
Julgo ser universal que nos sentimos melhores pessoas depois de sermos pais, precisamente porque sabemos do que somos capazes quando amamos muito alguém; vamos buscar forças sabe-se lá onde mas não temos que suportar o mundo às costas. Isso nem o Atlas conseguiu!


Fontes das imagens:
Figura 1- http://dirtydiaperlaundry.com/i-wish-they-could-have-slept
Figura 2- http://www.momscleanairforce.org/conservatives