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O apoio ao sono do bebé nos fóruns e grupos do Facebook

Eu sou mãe e frequento fóruns e grupos de partilha sobre parentalidade no Facebook, como outros tantos milhares de pais. Com muita frequência posso ler pedidos de apoio de mães que desabafam sobre problemas na hora de dormir dos seus filhos. O sono dos bebés é sempre um tema que interessa muito os pais e eu, como consultora de sono infantil, fico muito aflita porque quero imediatamente ajudar aquelas mães angustiadas. No entanto, a informação que partilham é geralmente muito limitada: “A minha bebé acorda de duas em duas horas, levanta-se e vem ter connosco, ao nosso quarto. Alguém passou pelo mesmo e tem dicas para partilhar?”, por exemplo.

E, claro, as outras mães do grupo não negam o apoio (as mulheres conseguem ser ferozes na união da maternidade e ainda bem, que a ajuda e a empatia são tão, mas tão importantes nesta fase da vida). Em minutos “chovem” sugestões e palavras de encorajamento, é maravilhoso ver!

No entanto, apesar de todas estas mulheres terem as melhores intenções para com esta mãe em apuros, acaba por ficar para segundo plano, abafada por sugestões de soluções que resultaram com outras mães e com outros bebés, a verdadeira raiz do problema.

Há aquelas mães que sugerem que “é apenas uma fase, vai passar rápido, que só é preciso ter um pouquinho mais de força, de coragem”. Há casos em que essa “fase” pode durar meses ou até mesmo anos, acumulando as consequências de noites consecutivas de sono sobressaltado e interrompido (para a criança e para os pais, claro). Aguentar não é uma opção. O cansaço origina pais com pouca paciência e disponibilidade e filhos irritados e ansiosos.

Por outro lado, temos as mães que sugerem soluções do tipo “penso rápido”, como por exemplo: “coloca uma barreira na porta do quarto, para impedir que a bebé vá para a cama dos pais”; “põe umas gotinhas de essência de alfazema na almofada, que ajudam a acalmar a bebé”; “o meu filho adora a música do ‘nana bebé’ e sossega logo, experimenta! Faz-lhe também uma massagem na barriguinha”; “dá-lhe umas gotas de melamil, que é supernatural e vai ajudá-la a adormecer logo, logo, vais ver”. Estas mães querem muito ajudar e as suas intenções são as melhores do mundo mas, na realidade, assumem que o que funcionou com os seus filhos vai garantidamente resultar com os outros quando, no mais das vezes, as circunstâncias e os problemas são muito diferentes. No fundo, estão a fazer uma análise isolada do problema.

Eu tento não me envolver demasiado nestas questões dos fóruns e dos grupos porque, quando dou por isso, estou a colocar dezenas de questões (ao ponto de as outras pessoas acharem que estou a ser intrusiva ou até mesmo coscuvilheira!) e a fazer uma consulta pública, via Facebook. Tudo isto porquê? Porque quando falamos de problemas de sono em bebés e crianças (até mesmo no adulto) torna-se extremamente importante fazer uma abordagem holística em cada situação (e aqui é importante desmistificar o conceito holista, que muitas vezes se associa à procura de justificações difusas e pouco claras para um determinado comportamento). Ao analisarmos o problema isolado, estamos a negligenciar a verdadeira raiz do problema.

O sono não é apenas o acto de dormir. O sono é influenciado por imensos factores, desde a alimentação até ao meio ambiente. Daí a necessidade de investigar a fundo, de fazer perguntas, de perceber o que está por detrás daquele comportamento.

Queremos resolver o problema e não condicionar a forma como a criança comunica que algo não está bem.

Voltando ao exemplo de caso do Facebook, colocar uma barreira não vai impedir que criança acorde e que chore a meio da noite. Deixar chorar não “apaga” o problema. Mas se, graças a uma consulta de sono (sim, que envolve uma hora com algumas perguntas!), descobrirmos que os despertares recorrentes resultam de sestas mal dormidas, podemos resolver o assunto sem choro, sem dramas, sem barreiras, sem medicamentos.

Continuem a procurar apoio no Facebook e, principalmente, não deixem nunca de apoiar outras mães e pais em apuros. Apenas percebam que determinados problemas deverão ser aprofundados e investigados e, caso seja necessário, direccionados para profissionais e especialistas para conseguirem resoluções efectivas.

Mantenham aberta a discussão em consciência.

profissional

Fontes das imagens:

1- Alamy

2- http://www.kolpingokolegija.lt/vaiko-gerove-ir-socialine-apsauga-2