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Sono do bebé recém-nascido: 3 factos importantes

Já devem ter reparado que o meu trabalho como especialista em sono do bebé se baseia no conhecimento científico e na empatia. Acho que só quando conseguimos “vestir a pele” do bebé é que estamos aptos a ajudá-lo quando mais precisa. Felizmente, cada vez mais a ciência consegue dar-nos algumas respostas. E é nesse sentido que considero muito importante preparar os pais com informação útil para que possam receber e cuidar o bebé da melhor forma possível.

1. Dormir? Só se for a prestações!
Quando o bebé está na barriga da mãe, recebe praticamente tudo aquilo de que precisa através de um cordão mágico umbilical. Não há horas para comer ou dormir, uma maravilha! Mas a boa vida muda com o parto e com a descoberta do mundo cá fora. A partir desse momento, o bebé tem que procurar alimento. Reconhece por instinto o cheiro do leite materno e, por isso, vai reclamá-lo (mais precisamente chorá-lo!) sempre que sentir fome. Ora, o estômago de um recém-nascido é muito pequeno e, por isso, a amamentação passa a ser uma actividade muito frequente.

Por estas razões, não esperem que o bebé durma mais do que 3 ou 4 horas seguidas, porque a fome aperta e aquela fofura toda de um bebé saudável exige leite do bom, de preferência materno, claro!
Caso fique demasiadas horas em jejum, o bebé pode entrar num estado de hipoglicemia, que é uma situação grave, que pode colocar em risco o seu desenvolvimento e até mesmo a sua sobrevivência.
Um recém-nascido dorme cerca de 16-18 horas diárias mas em suaves prestações (que podem ser desde 45 minutos a 4 horas) e as pausas para amamentação são prioritárias!
2. O bebé dorme mais de metade do tempo em “sono leve”
E, por isso, acorda facilmente, contrariando o mito de “dormir como um bebé”!
Mais de metade (entre 50 a 75%) de cada ciclo de sono de um recém-nascido ocorre em “sono leve”, enquanto que o adulto dedica apenas 20% do seu ciclo a esta fase de sono mais activa. Daí a maior probabilidade de um bebé acordar recorrentemente, por vezes de hora em hora, como muitos pais se queixam (período que corresponde ao final de um ciclo e começo de um outro).

Isto acontece por duas razões: instinto de sobrevivência, associado à necessidade de alimentação; e também porque é justamente na fase de “sono leve” que o bebé processa toda a informação, de forma a convertê-la em aprendizagem, através dos sonhos. No caso específico de um recém-nascido, muitas vezes esquecemos que a aprendizagem diz respeito a funções básicas, como a visão. Só no parto é que o bebé recebe pela primeira vez estímulos de luz! Daí que a rede neuronal ainda está a acabar de se montar.
É muita coisa para processar para um bebé, muito trabalho para fazer durante o sono!

 

 

 

3. Regular horários de sono? Só a partir dos 3 meses de idade
O relógio biológico de um bebé só começa a funcionar a partir dos 3 meses de idade. Porquê? Porque só aí é que começa a produzir melatonina, a hormona responsável por transmitir ao organismo que está na hora de serenar, para se preparar para o descanso. É então a partir dos 3 meses que, chegando ao final do dia, em que o sol desaparece, o bebé vai começar a produzir esta hormona e assim começa também a perceber as diferenças entre o dia e a noite. Assim se estabelece o ciclo circadiano das 24 horas e assim acerta o bebé os ponteiros do seu relógio biológico.

Dica de ouro: expor o bebé à luz do dia (atenção, não é o mesmo que expô-lo ao sol!) facilita bastante todo este processo.


Fontes das imagens:
Figura 1- http://amamentareessencial.blogspot.pt/2015_01_01_archive.HTML
Figura 2- adaptação de https://pt.pinterest.com/pin/246361042092309577/
Figura 3- http://guiadobebe.uol.com.br