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Sono de Sonho by Verina Fernandes

Almoçarada de família. E a sesta, como é que fica?

family dinnerO fim-de-semana passado trouxe o convite para uma daquelas almoçaradas de família, épicas e deliciosas (de fazer chorar qualquer nutricionista!). Era uma ocasião especial e estava a custar-me a perspectiva de lhe passar ao lado, por causa da sesta do meu filho. Se acontecesse em casa da família, não haveria qualquer drama: uma cama de viagem ou uma cambalhota estendida no chão; um quarto escuro e silencioso; um monitor e a criançada toda dormiria a sesta sem se afastar demasiado das suas rotinas. O problema é que o almoço estava marcado num restaurante.
Marcaram o almoço para as 12:30, já atendendo ao facto de que as crianças estão habituadas a comer cedo mas só isso não basta. É essencial garantir um local apropriado para que os bebés possam, pouco depois, dormir aquela boa sesta retemperante. Sim, porque já se sabe que os convivas só levantam o rabo da cadeira depois das 4 da tarde (isto para quem não tem criancinhas, claro). Esperar até essa hora para deitar uma criança que faz a sua sesta às 12:30 é só para quem gosta de viver a vida perigosamente (desporto radical de alto impacto para quem tem um pequeno na plenitude da fase das birras, ainda a aprender a lidar com a frustração!).

 

 

Na falta do espaço próprio para descanso, os pais têm um dilema em mãos:

Opção 1 – aceitar o convite
Isto implica, muito provavelmente, abandonar o almoço antes de servirem a sobremesa (a balança até agradece!).
Será também conveniente ter à mão um kit anti-birra, com brinquedos favoritos e actividades que se possam fazer num restaurante (livros para colorir, balões, etc.).
O bebé adormece no carro e está feito.

Opção 2 – recusar o convite
Neste caso, devem dizer a verdade. Não inventem desculpas, que é muito fácil apanhar um mentiroso! Não estão dispostos a prescindir do sono do bebé porque sabem que vão pagar essa “factura” no final do dia.
Podem sempre propor aparecer no restaurante assim que o bebé terminar a sesta, nem que seja para beber um digestivo ou um chá.

Bem, neste sábado, resolvemos aceitar o convite e assumimos um compromisso ligeiramente diferente: o meu filho dormia uma hora na viagem de ida (assim já aguentaria ficar acordado até, pelo menos, às 14:00) e, depois do almoço, outra hora no regresso.
Tudo estava a correr conforme planeado. Chegámos ao restaurante; já lá estava uma prima com a mesma idade do meu filho e foi interessante avaliar a diferença de comportamentos entre as duas crianças. O meu filho tinha descansado uma hora e, por isso, estava bem disposto e brincalhão. Já a prima ia dormir só depois do almoço, já fora de horas, e mostrava irritabilidade, além de que comeu pouco (com birras pelo meio). Claro está que temos de contabilizar o ambiente barulhento e histriónico, típico destes convívios, que muitas vezes afecta o humor das crianças.

E os pais da bebé diziam: “Não percebo, ela estava tão bem disposta… Não costuma reagir assim”. Eles sabem o porquê mas não se apercebem de que o comportamento da bebé resulta de uma decisão que eles tomaram, ainda que de forma inconsciente. Se a bebé não descansar, não seguir a rotina, vai reagir de determinada forma. Os pais só têm que estar preparados para essa circunstância. Aceitação, no fundo.

Como exemplo de que os nossos filhos são seres orgânicos e que nem sempre as coisas correm como esperamos, reparem no que aconteceu: o meu filho não dormiu a segunda hora completa, já depois do almoço (foi tão estimulado com toda a animação e brincadeira que lhe foi difícil adormecer no regresso a casa). E à noite, na hora de deitar, demorou quase uma hora a adormecer (devia estar com níveis de cortisol razoáveis!). Mas eu e o meu marido estávamos preparados para isso, o que é essencial para mantermos a calma e a serenidade, para não dificultarmos mais o processo de adaptação ao escape da rotina. Sabemos que o nosso filho é sensível, que precisa do seu descanso, da sua rotina.

Nestas ocasiões especiais, a decisão é só vossa. Vai alterar a rotina? Sim. E conseguimos contornar a situação e lidar com as consequências? Temos plano de contingência? Sim. Então podem aceitar convites para refeições que se arrastam pelo dia fora. Se não, nem tentem! Não faltarão oportunidades. Se os vossos familiares ou amigos não perceberem as vossas escolhas, não estão a respeitar a vossa família e as vossas necessidades. Estejam preparados para tudo.


Fontes das imagens:
Figura 1 – http://thehistorygirlhousewife.blogspot.pt/2014/09/baked-fried-chicken-recipe.HTML
Figura 2 – http://doubleu1.blogspot.pt/2014/03/little-peak-to-our-wedding-reception.HTML
Figura 3 – http://crescieagora.com.br/mamae/educar-uma-crianca-5-dicas-para-melhorar-tudo